quarta-feira, 9 de junho de 2010

Uma questão de centímetros Capítulo I

(O nome deste blog vem de várias conversas entre amigas... e estes capítulos saõ resultados dessas mesmas conversas. Sintam-se à vontade de acrescentar capítulos ao meu "livro". era giro. e é para o menino e para a menina:))

O Homem-transição
E é assim que começa este “livro”; em fase de transição. Segundo o dicionário transição pode ser “acto ou efeito de transitar”, “passagem de um lugar, assunto, tom ou estado para outro”, “trajecto”. Na Química existem os metais de transição, na escola dizemos que do 6º ano para o 7º ano é uma fase de transição, a entrada na faculdade é outra transição na nossa vida, bem como a entrada no mundo de trabalho, na Geografia existe a transição demográfica, que é a diminuição da taxa de natalidade e mortalidade; no fundo, estamos sempre em constante transição.
Nas relações a palavra “transição” impera: passar de namorada a noiva, outra de noiva a mulher uma nova transição das nossas vidas; quando as relações acabam, trazemos a escova de dentes, os livros, os cds, dvds e a transição. É certo que passamos de “comprometidas” a “descomprometidas” e isso por si só já é um estado de transição, mas caras amigas (os) neste momento falo-vos do trampolim, do ressalto, daquele que nos vai fazer ver o mundo outra vez, aquele que nos acende a luz, ou melhor, que muda a lâmpada (sim… não me digam que somos todas capazes de mudar uma lâmpada… sim, somos, mas quem melhor que ele para a mudar?) para conseguirmos enxergar dois palmos à frente dos olhos, aquele que nos relembra que somos mulheres, que temos um corpo fantástico, um cabelo brilhante um sorriso de cair para o lado: o Homem-transição.
Depois de acabarmos uma relação, ou de alguém acabar com ela (é tudo uma questão de pontos de vista) ouvimos várias vozes com vários conselhos “sábios”, ouvimos imensos testemunhos. Depois, um dia contamos que até andamos enroladas com alguém e surge logo a expressão: “fico feliz… este é o teu trampolim….”. Quando me foi apresentada tal etiqueta para homem fiquei de certa forma petrificada: pensei que teria que ginasticar o meu corpo mais do que aquilo que ele está habituado, pensei até que isso implicaria horas infinitas num tão fatigante ginásio, mas depois de me explicarem tal metáfora, o meu coração deixou de palpitar como se fosse sair pela boca e a minha tensão voltou ao normal - afinal não teria que fazer grande esforço era uma metáfora inocente que mostra como saltar de A para C, sendo B o trampolim. Dormi sossegada nessa noite.
No dia seguinte nova etiqueta “fico feliz por ti… este é o teu ressalto…”: nesse mesmo momento comecei a ter suores frios como se uma febre me tivesse possuído, qual gripe A, depois as mãos começaram a tremer e as pernas a falhar; no meu pensamento a palavra “trampolim” ainda era fresca - Como será possível outra palavra que implique esforço, quando no rescaldo de uma relação o que se quer (na maioria das vezes) é estar quietinha sem mexer sequer um fio de cabelo -; mas voltemos ao conceito de ressalto que me assustou mais que o primeiro, já que este parecia incluir mais não sei quantos marmanjos a correr atrás de uma bola e ficar com ar de Carrie Bradshaw a olhar para uns “impossíveis Manolo”; o que se passa minhas senhoras é que ressalto é mais ou menos ir apanhar aquilo que alguém atirou, é esperar que alguém atire e ficar a espera, são migalhas, restos sem saber se vamos acertar ou não – é portanto um conceito que ainda não está bem definido no mundo das relações e por isso fica de fora deste tão desejado texto.
Uns dias mais tarde, novo conceito, nova etiqueta floresce a meio de um almoço que parecia “mais um simples almoço” – desbloqueador, sim, tipo telemóvel: o conceito é simples: somos Optimus, mas cansamo-nos, ou a Optimus cansa-se de nós (voltamos aos pontos de vista) e a Vodafone tem melhor aspecto, mas temos o entrave de um telemóvel comprado à empresa do tio Belmiro que só aceita cartõezinhos laranja, o que fazemos? Tentamos contornar a situação e fazer com que o nosso querido comunicador passe a dar cartõezinhos vermelhos para isso, vamos a uma loja e pimbas eles desbloqueiam o telemóvel e nos já somos Vodafone - as maravilhas das telecomunicações (no entanto se todas as relações fossem tão maravilhosas como as comunicações e se a primeira pudesse viver sem a segunda, não estaria neste momento a escrever esta treta porque as relações eram bem mais duradoiras do que na realidade são).
E por fim, o conceito eleito, o “Óscar”, o supra-sumo da etiqueta para Homem: o Homem-transição, aquele que nos dá lanço no trampolim, que desbloqueia os sentimentos, ou a falta deles, a bola que apanhamos enquanto olhamos para o cesto, na vida todos temos/vamos ter um homem transição, que no fundo é o trampolim, o ressalto o desbloqueador – no fundo é tudo uma questão de português, de colocação do vocabulário na hora certa.
Aqui minhas amigas o que importa, é que este tipo de homem tem que existir e não precisa de trepar muito, aliás nem queremos que ele trepe muito, queremos que ele até nem faça muito para depois não termos que pensar com o lado esquerdo; pode mesmo ser dos que apanha a fruta do chão. Afinal o que queremos mesmo é que ele nos “empurre” para o mundo das maravilhas, aquele em que nos apaixonamos e esquecemos que algum dia vivemos com uma bruxa má versão masculina, que nos tentou matar envenenando uma maçã vermelha.

By me


2 comentários:

Joana disse...

Esta obra prima tinha que ser "postada"! E demorou muito tempo a sair da"gaveta"...Espetacularee...Altosse...

Menina da Invicta disse...

gosto tanto de homens transição!

=)

bem mafinha. mm mt bem!